Tinha um cara comprido e bonitão, o Sandro. E tinha uma menina Taurina do olho amendoado chamada Shirley.
Suponhamos, para fins de exemplo, que ambos estivessem de pé, na borda de uma piscina, num ensolarado Domingo. Enquanto observavam os banhistas, o tal Sandro comenta com a jovem a seu lado:
-“Aí, não sei como é que vocês agüentam esse negócio de ficar na piscina, na moral. Maior nada a ver, isso.”
E o comentário gera uma resposta imediata da menina que nasceu em Maio:
-“VOCÊS não, meu caro! Eu odeio piscina. Nunca gostei.”
É, os dois, definitivamente, não gostavam de piscina. E isso era CLARO, evidente, para ambos. Não se tratava de uma dessas frases de impacto que destoam das ações que as precedem e que as pessoas adoram proferir, a torto e a direito não. Era um sentimento muito genuíno esse de “entrar na piscina = não legal”.
-“Então, vou colocar uma sunga, pode crer? Mas é só porque ta calor. Entrar na piscina nem me passou pela cabeça.”
Diz o Sandro, da galopância de sua incoerência.
-“Odiei a idéia. Mas vou vestir um maiô, também.”
Discorda/concorda a Shirley.
A situação começou a requerer uma certa contextualização. Afinal, os dois estavam ali, parados, de pé, na frente da piscina. Não queriam, entrar de jeito nenhum - Deus os livre! -, mas não faria sentido permanecer vestidos dos pés à cabeça debaixo daquele Sol. As pessoas ao redor iam começar a reparar. Então, porque não vestir as roupas de banho, só pra PARECER que eles iam entrar na água (embora não fossem, nem pensar!) e, assim, evitar a curiosidade alheia? Somente daquela forma eles poderiam desfrutar, em paz, da prazerosa sensação de ficar do lado de fora da piscina.
-“Vou molhar o pé.”
-“Vai, ué.”
-“Mas é só porque isso é completamente diferente de entrar na piscina. Molhar o pé não tem a menor relação com banho de piscina.”
-“Eu não vou molhar o pé.”
-“Ué, então o que ‘cê ta fazendo com a mão na água?”
-“Molhando a mão, ora.”
-“’Cê vai entrar na piscina?”
-“Claro que não.”
-“Ah, bom. Nada a ver, isso de piscina, né?”
-“É. Maior besteira.”
Huuummm, mas a água estava tão gostosa... Daquele tipo que não dá pra resistir, sabe? Aliás, acho que nunca em toda a história da água de piscina houve uma tão gostosa quanto aquela. Era praticamente uma Perrier com cloro. É impressionante como coisas que você sempre conheceu, em alguns momentos da vida, conseguem ser tão extraordinárias, mesmo permanecendo triviais. A sacarose de todas as coisas está exatamente nisso: a maneira como interpretamos.
-“Aí, vou entrar na água.”
-“Por que?”
-“Porque sim. Estou muito seguro de que isso não é um banho de piscina. Entrar na água é uma coisa, tomar banho de piscina é outra.”
-“É.
-“E digo mais: você vai entrar comigo.”
-“Vou?”
-“Vai.”
-“Por que?”
-“Porque sim. Eu quero você aqui, comigo.”
-“Então ta.”
-“Legal. A água ta gostosa, né?”
-“Ta... rs.”
-“rs...”
Dizem que o oposto complementar da repulsa é o apreço. Fato. Desgostar muito explicitamente de algo que é agradável denota nítido interesse no tal algo. E sugere também que, talvez, essa incongruência tenha algum motivo. Sei lá, de repente aqueles dois tiveram alguma experiência desagradável em piscinas, no passado. Aliás, quem é que nunca engoliu água, irritou os olhos ou pegou micose? Tem gente que quase se afogou e, tempos depois, ta enfiado debaixo d’água de novo. Porque, no final das contas, o problema, o risco, o trauma não é a piscina em si: é como nos portamos dentro dela. A responsabilidade por tudo o que ocorre dentro daquele poço azulejado é de quem está dentro dele, invariavelmente. Não dá pra descontar na piscina – uma coisa tão bacana – o fato de você não saber nadar direito.
-“A gente entrou até o pescoço. E... É bom, né?”
-“É...”
-“Eu tinha esquecido como era bom. Aliás, acho que nunca foi tão bom assim, entrar na piscina. Você ta gostando?”
-“To. Muito...”
-“Eu também. Que bom que você entrou comigo.”
-“rs... É...”
Quem diria... Não é que eles entraram mesmo na piscina? Mesmo depois de tanta relutância. O Sandro tava que nem uma adolescente virgem assistindo a um DVD do Frota, num misto de surpresa, empolgação, curiosidade e admiração. E a Shirley, pra uma Taurina Inseta durona, parecia bem mais serena e segura.
-“Então vamos mergulhar e dar umas braçadas?”
-“Hã?”
-“To perguntando se você quer mergulhar e dar umas braçadas.”
-“Eu sei, mas... Isso não é tomar banho de piscina?”
-“E se for? Quem se importa?
-“Não era você que não queria tomar banho de piscina de jeito nenhum, Inseto?”
-“Com você eu quero. Viu que moral?”
-“É, rs... Você é estranho.”
-“Você também. Viu como nascemos um pro outro?”
O Sandro é mesmo faixa preta
-“rs. Você... Quer nadar comigo?”
-“WOW! Nadar? Coisa séria? CLARO que quero!”
-“rs! Então ta...”
-“Mas sem molhar a cabeça, né? Rs...”
-“De jeito nenhum! Rs...”
E assim seguiram os dois. Fazendo exatamente o que todo mundo faz, mas de um jeito tão deles que acho até se convenceram de que erigiram a coisa mais autêntica do mundo. Tsc, aqueles dois tinham muito o que aprender, ainda. Juntos. Sempre.
Feliz 2 anos, Shi! Eu te AMO, minha Insetinha! Espero que você esteja gostando da água...
P.S.: Se eu precisar explicar que isso é uma metáfora para o meu relacionamento com a Shi e que esse texto não tem nada a ver com natação, na boa, vai ler o Blog do Bruno de Luca.

14 comentários:
Adoreeeei!
De tempos em tempos, quando o Sandro dá um tempo de postar os "textos da Shi...", eu esqueço que ele sabe ser/é romântico... Muito bom!!!
Abração...
A gente sempre tenta se justificar quando faz aquilo que vai de encontro aos princípios.
Princípios???
Na real mesmo, a gente é meio hipócrita, mas e quem não é???
Adorei a história, muito divertida!
Beijos!
Ain que lindo! O Sandro fazendo metáforas pseudo-amorosas! Mas pouco me importa, tô de mal dele! Humf
P.S¹: Desisto de você, sinceramente.
P.S²: O blog do concorrente (Blog do Bruno de Luca) fica mais sutil!
Eu sabia! Eu sabia que entrariam na piscina! Quando a pessoa fala "de jeito nenhum!" quer dizer: " De todas as maneiras". O texto é bem legal e o motivo melhor ainda.
parabéns
Qual o endereço do blog do Bruno??
Hahahaha
Como sempre, criativo.
Abraço,
De tudo q li, afora o fato q o texto tá delicioso, o contexto bárbaro e a companhia completava tudo redondinho...o melhor é saber q vc está feliz!
Feliz 2 anos, San e Shi...acho q vcs se merecem!!!rs (Acho q a Shi levou a pior nisso...kkkkkkkkkkk)
aaaah você não sumiu de novo não né? Vou ter que entrar para os LSA - Leitores do Sandro Anônimos.
- Oi, meu nome é "Anônimo", também sou viciado nos textos do Sandro.
- Oi Anônimo - dizem todos em uníssono.
Adorei o blog, você é GENIAL!
Abandonados.com
http://mulapretadownloads.blogspot.com/
Perfeito, como sempre!
=*
Desejo muita sorte à mocinha e ao seu cu, Sandro, hahahahaha...
E dizer que cu é apenas o bumbum dos portugueses... que coisa, não? Essa mania que a gente tem de enfear tudo que é palavra...
Mas eu não sou assim. Em nenhum momento pensei bobagem quando li o título deste post... nem de longe, rsrsrs...
Beijos!
Que coisa não?
O Sandro já até esta usando bermuda.
Teve até uma reunião dizendo que vai ter piscina na Papoula.
Sandro, você esqueceu de colocar o link da menina virtual.
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