
Era uma vez um homem chamado Franklin Delano Roosevelt. Suas principais contribuições para a humanidade foram:
1 – Servir de inspiração para que muitas lavadeiras batizassem seus filhos.
2 – Reerguer os EUA de uma de suas maiores crises econômicas, a quebra da Bolsa em 1929, que afundou o país na apropriadamente chamada Grande Depressão (o Frank foi o Prozac dos gringos).
O conjunto de medidas que ele usou/desenvolveu pra dar um tapa nas finanças do país foi chamado de New Deal, e você pode encontrar várias informações equivocadas e desconexas sobre ele neste site aqui.
Mas a questão é que uma das diretrizes (ou conseqüências, depende do quão Contador você é) do tal New Deal era fazer a economia – que estava em frangalhos – voltar a girar. Para tanto, o governo baixava impostos e injetava dinheiro na Construção Civil, que gerava milhares de empregos. A Indústria, por sua vez, era estimulada a produzir mais e mais barato, porque havia recebido isenções e facilidades da Casa Branca e já tinha para quem vender: o povaréu que foi empregado nos canteiros de obra e estava doido pra consumir de novo. E assim, a torneirinha de dinheiro voltava a pingar...
Afinal, o que era um monte de pessoas fodidas tinha potencial para se transformar num grupo de produtores e consumidores, tendo como lastro uma condição que ninguém nunca se incomodaria em aceitar: a sobrevivência mútua.
Os EUA e Penedo têm muito em comum. Quer dizer, os EUA da década de 30 e Penedo têm muito em comum (é importante discernir). A parte de nego matando cachorro a grito por causa da falta de grana, principalmente. Afinal, nós Penedenses estamos saindo do período conhecido por Alta Temporada, que compreende os meses de Junho e Julho. Agosto também faria parte, mas São Pedro começou a menstruar e os termômetros passaram a marcar 30 graus no inverno, afugentando os turistas sedentos pelo friozinho da serra. Resultado: dureza.
Mas aí apareceu a Josivane.
-“E quem diabos é essa mulher, Sandro?”
Pergunta o leitor.
-“Ninguém.”
Responde o Sandro.
Mas é uma ninguém que alisa o cabelo e usa calça justa pra empinar a bunda. E, como trabalha numa loja no centro da cidade, bem à vista, chamou a atenção de um auto-intitulado figurão da cidade. Vamos chamá-lo de Arílson.
O sujeito era um daqueles homens casados que pulam a cerca escancaradamente, porque a mulher prefere um par de chifres a ter que fazer aquela coisa horrível e degradante chamada “trabalhar”. E ele se aproveita disso para trepar com o máximo de balconistas mal remuneradas e de aparência questionável que conseguir. Pé rapado que sobe na vida não para de comer angu, afinal. Pobreza é uma coisa enraizada no espírito.
Ta. Aí o maluco foi chegar na Josivane, bem no pequeno shopping onde ela trabalha. E, dado que “beleza”, “atributos físicos” e “inteligência” eram armas com as quais ele não poderia contar para a batalha, o hominho utilizou a ancestral tática de fisgar pelo bolso (e pelo estômago!): um dia, ia visitar a Josivane e trazia um chocolate. No outro, pagava um lanche pra ela. Na semana seguinte, comprava um presente e arcava com as despesas do almoço dela. Quase fofo, né?
E, à medida que os mimos cresciam progressivamente, a quantidade de beneficiados por eles idem. Ou seja, se passasse um sorveteiro na rua e a Josivane providencialmente quisesse um picolé, as amigas dela que estivessem do lado também ganhavam um. Afinal, o Arílson queria conquistar a simpatia das pessoas que conviviam com ela. Que, por sua vez, interessadas em continuar a receber agrados por tabela, iam tecer elogios ao cara pra sua musa. Da noite pro dia, a umazinha se tornou celebridade, sempre rodeada de amigos. Praticamente a Paris Hilton do déficit monetário.
Mas não parou por aí! Nego começou a não se contentar em ganhar presentinhos do pretendente da Josivane. Com o passar das semanas, o povo passou a maquinar formas de ganhar DINHEIRO às custas do tesão do doido. O tipo de prática excusa, suja, decadente, amoral e fraudulenta que só o BMLT teria orgulho de exibir.
Aí era assim: uma das amigas lojistas da Josivane virava pra outra e dizia:
-“Olha, Cleidiene, ta vendo esse chinelo de dedo customizado? A Josivane gostou dele. Então, se o Arílson perguntar o que ela poderia querer de presente, você fala que ela AMOU esse chinelo, viu?”
-“Ah, ta, pódexá, Romilda. Mas quanto que custa esse chinelo?”
-“Custa R$ 35,00, menina, mas você fala pra ele que é R$ 45,00, ta? Aí eu ganho um por fora também, né?”
Da pra ACREDITAR nisso? Penedense é um bicho morto de fome mesmo. E o PIOR é que o cara nem se dá conta de que estavam desviando seu dinheiro. Ou melhor, desviando o dinheiro que ele havia desviado honestamente, homem público que era. Ladrão que rouba ladrão tem anistia por 100 anos. E, em Penedo, ainda vira comerciário.
Sem perceber, a Josivane e sua escova progressiva contribuem para a perpetuação da cidade do Sandro. Longa vida a ela e ao seu conjunto de medidas econômicas, o Fool Deal, que tem um inesperadamente apropriado trocadilho.
P.S.: Preciso me lembrar de oferecer licor pra Josivane.
2 comentários:
Fiquei curioso... o Arílson só ficou estimulando a economia local ou conseguiu "estimular" a dita cuja?
Não conseguiu e, se depender do povo de Penedo, não conseguirá, Lê. Afinal, se ela liberar pro cara, acabou a mamata. Como diria Tyler Durden
-"Eu sou as pernas fechadas do Jack..."
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