quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Cu do Sandro Pede Ajuda


Meu cu é muito popular na Internet.


Muitas pessoas pelo mundo afora querem conhecer o cu do Sandro. E, quem já o conhece, certamente formou um vínculo instantâneo e profundo com o mesmo. Fato. Afinal, meu cu é muito receptivo e – embora isso não tenha lá tanta relevância – perfumado. Além disso, está sempre disponível, praticamente 24h por dia.


Meu cu, como todo mundo já deve ter percebido pela leitura do parágrafo anterior, é meu cunhado, o Philipe. Outro dia, resolvi chama-lo assim – de cu – pra encurtar o Pronome de Tratamento. C-U-N-H-A-D-O é muito comprido. Aí, até eu dizer


-“Cunhado, cuidado! Olha o caminhão...”


Ele com certeza já teria sido atropelado. Chamar o Philipe de cu é uma questão de segurança antes de tudo.


Sucede que o Philipe (meu cu) está se engraçando com uma rapariga. É uma espécie de envolvimento virtual não declarado, não táctil e nem de longe sexual, do tipo que está muito em voga no momento. As pessoas chamam isso de rolo pelo MSN. Eu chamo de punheta digital. Anyway.


A menina em questão é modelo (ou aspirante a isso, meu desinteresse comprometeu um pouco a compreensão dos fatos). E detém o título de Miss Castro, uma cidade que fica em algum lugar do Sul do país, daquele tipo que é notoriamente popular por seu anonimato. Beleza.


Aí a mocinha resolveu galgar glórias maiores, e se inscreveu num concurso virtual que tem por intuito apontar qual das participantes é a mais popular (sentido?). Acontece que o desempenho da senhorita no ranking das modelos Jr. está ligeiramente desesperador. Digamos que, se o Sandro fosse medir sua popularidade junto ao Greenpeace, obteria resultados mais satisfatórios.


De modo que o Philipe, cavalheiro digital que é, iniciou uma exaustiva campanha pelos quatro cantos e sete mares virtuais: tem quase um mês que o cara anda de Orkut em Orkut e MSN em MSN pedindo encarecidamente às pessoas que votem a favor da menina no tal concurso virtual, a fim de aumentar sua expressividade nas porcentagens. Ele é homem. Então, certamente está fazendo tudo isso em troca de uma recompensa carnal pecaminosa (tipo um J). Mas não deixa de ser um gesto lindo.


Aí sobrou pra mim, dado que o Sandro mora na mesma casa e tem um Blog com 200 visitas diárias disponível. Aliás estou começando a desconfiar que as pessoas me odeiam. É só eu não conseguir escrever regularmente que o povo acessa mais o BMLT...


Enfim, venho por meio desta sincera postagem, formalizar meu pedido amistoso e desinteressado (os hotéis em Penedo são caros): dê uma mão ao cu do Sandro. Acesse o link abaixo e, com apenas um click, salve uma adolescente da DPP (depressão pós-perda). Afinal de contas, brincadeiras e sarcasmo à parte, eu realmente desejo de todo coração a mais fraterna sorte do mundo à... Ah, à menina lá. Ela tem um nome, tenho quase certeza.


http://www.misscastro.com.br/interna.php?pg=candmt11


Adendo importante: a votação acaba dia 17/10. Juro que tentei engambelar o Philipe o máximo que pude, mas meu estoque de desculpas acabou.


Você é um amor, leitor. Não posso expressar como estou grato pela sua gentileza e blá, blá, blá.


BMLT = Casa da Mãe Joana.


P.S.: não desistam do Sandro. Assim que eu arrumar um jeito de matar serviço na minha própria loja, atualizo mais regularmente isso aqui.

domingo, 6 de setembro de 2009

Salvando o Planeta


Eu me rendo.

O Sandro, sensibilizado com o bombardeio que os ambientalistas – e salvadores do mundo em geral – têm feito á mídia, decidiu abraçar a causa e contribuir para tornar o planeta um lugar mais sustentável. Seja lá o que isso signifique, porque “sustentável” virou vírgula nesses panfletos ecologicamente corretos impressos em papel reciclável que circulam por aí. E que eu costumo jogar fora assim que recebo. Anyway.

Então, ativista engajado que agora sou, já tenho em mãos algumas propostas para o mundo florescer:

1 – Comer vacas.

Assisti um instrutivo documentário do Reino Unido que alertava para a terrível contribuição das vacas na questão do Efeito Estufa. Segundo a inglesada, um peido bovino é bem mais letal para a biosfera do que a matriz da Texaco em dia de hora-exra (povo crédulo, aquele).

Assim sendo, a existência de criadouros/matadouros de gado em escala industrial é a maior responsável pelo agradável clima de panela de pressão do qual desfrutamos nós todos. O que faremos? Ora, é evidente: a solução é comer as desgraçadas das vacas!

-“Mas Sandro... Se comermos mais vacas, pecuaristas criarão mais gado, o que acabará aumentando a flatulência e, por conseqüência, o calor mundial. O dano é proporcional ao consumo. Comer mais carne não é prejudicial? A melhor solução não seria adotar o vegetarianismo, como muitos ambientalistas propõem?”

Indaga você, leitor.

Ora, é claro que não! O negócio é comer carne sim. Só que rápido! Assim, os fazendeiros não darão vazão ao consumo e as vacas serão extintas. Acaba com o problema de uma vez (depois, será a vez das galinhas... Bwa-há-há-há-há!).

2 – Eletrodomésticos, sofás, pneus (etc, etc, etc) biodegradáveis.

As pessoas jogam coisas dentro dos rios. Fato. E não vão parar de jogar, por mais que sejam conscientizadas, multadas, carcadas, posto que é da natureza humana fazer merda só pra ver o que acontece e/ou sem se preocupar com as conseqüências (vide “Lula para Presidente”). Então, por que não investir em redução de danos?

Outro dia, um vizinho da Shi largou uma geladeira velha – e azul, a miserável – na beirada de uma pirambeira. Aquela coisa tipo

-“Veja bem, eu não joguei minha geladeira morro abaixo. Não, de jeito nenhum. Só deixei ela 6 dias na berinha, pra pegar um Sol, e ela caiu sozinha.”

Eis que – quem diria – a porra rolou a ribanceira mesmo, dias depois. Eu observei a cena e pensei que, se a Brastemp já produzisse geladeiras ecologicamente corretas (que podiam ser até verdes, pra camuflar melhor), não haveria problema no gesto do homem. Afinal, se ele tem uma bosta de geladeira, por que não convertê-la em bosta, na forma de adubo, e contribuir para a preservação das encostas?

E, falando em bosta...

3 – Ralos largos.

Não é de hoje que o pessoal do Greenpeace diz que descarga é um desperdício de água, e propõe que a população mundial tire água do joelho enquanto toma banho, que é pra diluir tudo sem desperdiçar mais água. Não ria, eles REALMENTE falam coisas desse tipo.

Pois o Sandro vai além, e sugere a invenção de tampas de ralo de chuveiro com orifícios maiores, que é pro povo fazer o número 2 durante o banho também, e, assim, economizar ainda mais água da descarga. Cagar no banho: uma iniciativa verde. Marrom, aliás (tá me olhando com essa cara por quê? As pessoas compram papel higiênico sabor “chá verde” hoje em dia. Daí a cortar o rabo do macaco agachado no Box é um pulinho).

E você achando que o Sandro nunca usaria toda a sua mordaz sagacidade para o bem, hein? Não precisa agradecer, estamos aqui pra isso.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Cura da Gripe...


Meu pai descobriu a cura para a Gripe Suína: o Sarney.

O pai do Sandro é um homem de visão – e o fato de ter carregado o Sandro dentro do saco só comprova isso. Assim sendo, não é de hoje que ele ensaia suas teorias infecto-televisivas...

Muitas luas atrás, nos primeiros anos da década de 1990, o Brasil foi acometido por outra diabólica epidemia, o Cólera. Compatriotas morriam aos milhões. Corpos se empilhavam nas ruas. O caos, o horror e a desesperança se alastravam com desesperadora velocidade, deixando para trás órfãos, viúvas e inconsoláveis sobreviventes. Quer dizer, era assim que a mídia pintava o cenário. Na real, tinha é um pessoalzinho de cama, vomitando e com febre. Só isso. Estava acontecendo uma puta duma superexposição da moléstia na TV.

Que a essência da imprensa – por mais séria e respeitável que seja – é o sensacionalismo, todo mundo já sabe. Dar uma alardeada nos fatos sempre foi garantia de jornal vendido, não é de hoje. Acontece que, em certos períodos históricos, a estiagem de assunto leva os veículos de comunicação a requentar notícias, enquanto nada de novo aparece no front jornalístico. E o acontecimento tem que inchar a cada nova menção, pra parecer mais aterrador e, dessa maneira, conseguir angariar audiência. Então, se o Willian Bonner noticiou que a guerra do tráfico matou 10 hoje, semana que vem vão ter que morrer uns 25, caso o assunto volte à baila (longe de mim criticar). Além disso, falar de doença sempre funciona. Que o diga a Dengue, que é a sensação do início de cada ano, quando nada de muito interessante passa no JN. Enfim.

Mas voltemos a 1992, quando o Cólera estava matando mais que o Câncer e o McDonald’s juntos (ao menos era isso que o Cid Moreira jurava que estava acontecendo). O país parecia uma grande cova rasa, pela descrição televisiva. O Ministério da Saúde fazia sua parte: mostrava serviço pedindo encarecidamente à população que lavasse as mãos após ter contato com a própria bunda, que era a Inimiga Pública número um do momento (dias desleais, aqueles). Além disso, sempre tinha algum artista no intervalo da novela ensinando a fazer aqueles placebos genéricos, tipo soro caseiro ou oração pra São Longuinho, visando amenizar os sintomas da peste. Igualzinho hoje em dia, quando nego vem com esse papo de espirrar no antebraço e lavar a mão com álcool pra evitar a Influenza A. Faz todo sentido. Afinal, o ponto fraco de uma pandemia mutante foderosa, maligna e cheia de dentes afiados, com certeza vai ser um negócio simples que nem álcool.

Tá. Aí, quando tava todo mundo fodido e mal pago, aconteceu uma revolução na infectologia nacional, que erradicou completamente o Cólera: o Impeachment do Collor. Foi só a garotada pintar a cara e ir pra rua reclamar da vida que NINGUÉM MAIS morreu de Cólera! Da noite pro dia, feito mágica! De repente, apareceu um babado mais forte e os obituários perderam a graça pra mídia, que ignorou de uma tal forma a doença que parece que ela simplesmente deixou de existir.

Pode pesquisar: não foi descoberto nenhum tratamento revolucionário que justificasse o sumiço da epidemia (até porque, Cólera é doença de Terceiro Mundo. Nenhum laboratório perde tempo – e recursos – inventando vacina pra um negócio que se elimina com um mínimo de saneamento básico). O surto simplesmente parou de ser mencionado exaustivamente na TV e pronto, parou de fazer mal. E o pior é que ninguém notou. Ninguém exceto um homem: meu pai. Ele foi o único a atentar para o fato de que, depois que o Collor levou um pito da molecada, o Cólera ficou bonzinho.

O pai do Sandro deu seu diagnóstico diferencial para a gripe do porco e indicou o tratamento mais eficaz. Agora é só esperar o Sarney começar a fazer efeito...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Piscina


Tinha um cara comprido e bonitão, o Sandro. E tinha uma menina Taurina do olho amendoado chamada Shirley.

Suponhamos, para fins de exemplo, que ambos estivessem de pé, na borda de uma piscina, num ensolarado Domingo. Enquanto observavam os banhistas, o tal Sandro comenta com a jovem a seu lado:


-“Aí, não sei como é que vocês agüentam esse negócio de ficar na piscina, na moral. Maior nada a ver, isso.”


E o comentário gera uma resposta imediata da menina que nasceu em Maio:


-“VOCÊS não, meu caro! Eu odeio piscina. Nunca gostei.”


É, os dois, definitivamente, não gostavam de piscina. E isso era CLARO, evidente, para ambos. Não se tratava de uma dessas frases de impacto que destoam das ações que as precedem e que as pessoas adoram proferir, a torto e a direito não. Era um sentimento muito genuíno esse de “entrar na piscina = não legal”. Mas aí o Sol foi batendo no lombo...


-“Então, vou colocar uma sunga, pode crer? Mas é só porque ta calor. Entrar na piscina nem me passou pela cabeça.”

Diz o Sandro, da galopância de sua incoerência.

-“Odiei a idéia. Mas vou vestir um maiô, também.”

Discorda/concorda a Shirley.


A situação começou a requerer uma certa contextualização. Afinal, os dois estavam ali, parados, de pé, na frente da piscina. Não queriam, entrar de jeito nenhum - Deus os livre! -, mas não faria sentido permanecer vestidos dos pés à cabeça debaixo daquele Sol. As pessoas ao redor iam começar a reparar. Então, porque não vestir as roupas de banho, só pra PARECER que eles iam entrar na água (embora não fossem, nem pensar!) e, assim, evitar a curiosidade alheia? Somente daquela forma eles poderiam desfrutar, em paz, da prazerosa sensação de ficar do lado de fora da piscina.


-“Vou molhar o pé.”

-“Vai, ué.”

-“Mas é só porque isso é completamente diferente de entrar na piscina. Molhar o pé não tem a menor relação com banho de piscina.”

-“Eu não vou molhar o pé.”

-“Ué, então o que ‘cê ta fazendo com a mão na água?”

-“Molhando a mão, ora.”

-“’Cê vai entrar na piscina?”

-“Claro que não.”

-“Ah, bom. Nada a ver, isso de piscina, né?”

-“É. Maior besteira.”


Huuummm, mas a água estava tão gostosa... Daquele tipo que não dá pra resistir, sabe? Aliás, acho que nunca em toda a história da água de piscina houve uma tão gostosa quanto aquela. Era praticamente uma Perrier com cloro. É impressionante como coisas que você sempre conheceu, em alguns momentos da vida, conseguem ser tão extraordinárias, mesmo permanecendo triviais. A sacarose de todas as coisas está exatamente nisso: a maneira como interpretamos.


-“Aí, vou entrar na água.”

-“Por que?”

-“Porque sim. Estou muito seguro de que isso não é um banho de piscina. Entrar na água é uma coisa, tomar banho de piscina é outra.”

-“É.

-“E digo mais: você vai entrar comigo.”

-“Vou?”

-“Vai.”

-“Por que?”

-“Porque sim. Eu quero você aqui, comigo.”

-“Então ta.”

-“Legal. A água ta gostosa, né?”

-“Ta... rs.”

-“rs...”

Dizem que o oposto complementar da repulsa é o apreço. Fato. Desgostar muito explicitamente de algo que é agradável denota nítido interesse no tal algo. E sugere também que, talvez, essa incongruência tenha algum motivo. Sei lá, de repente aqueles dois tiveram alguma experiência desagradável em piscinas, no passado. Aliás, quem é que nunca engoliu água, irritou os olhos ou pegou micose? Tem gente que quase se afogou e, tempos depois, ta enfiado debaixo d’água de novo. Porque, no final das contas, o problema, o risco, o trauma não é a piscina em si: é como nos portamos dentro dela. A responsabilidade por tudo o que ocorre dentro daquele poço azulejado é de quem está dentro dele, invariavelmente. Não dá pra descontar na piscina – uma coisa tão bacana – o fato de você não saber nadar direito.


-“A gente entrou até o pescoço. E... É bom, né?”

-“É...”

-“Eu tinha esquecido como era bom. Aliás, acho que nunca foi tão bom assim, entrar na piscina. Você ta gostando?”

-“To. Muito...”

-“Eu também. Que bom que você entrou comigo.”

-“rs... É...”


Quem diria... Não é que eles entraram mesmo na piscina? Mesmo depois de tanta relutância. O Sandro tava que nem uma adolescente virgem assistindo a um DVD do Frota, num misto de surpresa, empolgação, curiosidade e admiração. E a Shirley, pra uma Taurina Inseta durona, parecia bem mais serena e segura.

-“Então vamos mergulhar e dar umas braçadas?”

-“Hã?”

-“To perguntando se você quer mergulhar e dar umas braçadas.”

-“Eu sei, mas... Isso não é tomar banho de piscina?”

-“E se for? Quem se importa?

-“Não era você que não queria tomar banho de piscina de jeito nenhum, Inseto?”

-“Com você eu quero. Viu que moral?”

-“É, rs... Você é estranho.”


-“Você também. Viu como nascemos um pro outro?”

O Sandro é mesmo faixa preta em imprevisibilidade. Mas a Shirley não fica muito atrás não... Foi só passar algum tempinho dentro d’água pra hidrolisar todas aquelas coisas que, horas atrás, pareciam impensáveis, fazendo-as soar muito mais cálidas.


-“rs. Você... Quer nadar comigo?”

-“WOW! Nadar? Coisa séria? CLARO que quero!”

-“rs! Então ta...”

-“Mas sem molhar a cabeça, né? Rs...”

-“De jeito nenhum! Rs...”


E assim seguiram os dois. Fazendo exatamente o que todo mundo faz, mas de um jeito tão deles que acho até se convenceram de que erigiram a coisa mais autêntica do mundo. Tsc, aqueles dois tinham muito o que aprender, ainda. Juntos. Sempre.


Feliz 2 anos, Shi! Eu te AMO, minha Insetinha! Espero que você esteja gostando da água...


P.S.: Se eu precisar explicar que isso é uma metáfora para o meu relacionamento com a Shi e que esse texto não tem nada a ver com natação, na boa, vai ler o Blog do Bruno de Luca.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Pau e a Mesa


Quando você quer estar à frente de algo (de qualquer coisa na vida, pra ser mais específico), eis tudo o que você precisa saber:

1 – Botar o pau na mesa.
2 – Botar o pau na mesa (é que, às vezes, ‘cê tem que fazer isso mais de uma vez na mesma circunstância).

Você almeja respeito ou liderança? Então trate de aprender o quanto antes a tirar o pau do perímetro das calças e – PA! – tacá-lo contra a mesa mais próxima. As pessoas têm um certo fetiche mórbido em observar a genitália alheia ir de encontro a superfícies planas com intuito persuasivo, cheguei a essa conclusão.

Sabe aquela idéia humanista de que o diálogo, o perdão e a tolerância são as ferramentas de qualquer boa resolução? Porra nenhuma. O pau é que resolve a treta, em 108% dos casos. “Dar a outra face”? Isso só funciona no Boxe. Dê o outro pau – aquele, metafórico, que vive esbarrando na mesa –, que é muito mais negócio. E não precisa ter pudores freudianos não, porque não é o tamanho do pau que importa, mas sim o tamanho do barulho que ele faz quando acerta a mesa.

Lembra que você aprendeu na escola que menina não tem pau? Então, era mentira. Em determinados momentos da existência, elas têm sim. PRECISAM ter, aliás. Porque, dado que o planeta Terra é machista, a mulher que domina a arte de bater o pau mesas afora certamente adquire o tão almejado respeito. Talvez por conta desse mesmo machismo, lançar a glande violentamente de encontro à mesa intimide tanto. Afinal, as pessoas gostam do pau. Logo, não querem vê-lo bravo, chocando-se contra tampos de madeira, metal ou pedra. Porque, de fato, o pau na mesa é a única instituição genuinamente imparcial: não tem cor, credo, sexo ou classe social. Ressalvas feitas, qualquer um pode realizar o sonho do pau na mesa próprio.

E sabe do que mais? Bote o pau na mesa dos seus amigos. Sério, por mais anti-higiênico que possa parecer. Vai por mim, nada de moralismos baratos. Amigo que é amigo entra numa sim senhor! Afinal, é preciso botar os pingos nos “i” e os paus nas mesas, numa amizade, pra que ela cresça respeitosa, franca e se otimize cada vez mais. Deu zica com aquele seu chegado? Com o pau devidamente posicionado numa das pontas da mesa redonda do companheirismo, incida:

-“Qualé que é, mermão?”

O simples deslocamento de ar da trajetória do pau à mesa somado à sismografia da onda de choque do mesmo colidindo com a mesa já vai ser suficiente pra aprumar o bagulho. Traduzindo, um pau vale mais que mil palavras (o Kid Bengala que o diga). Aos inimigos, o pau (no cu, se possível). Aos amigos, o pau na mesa.

Arquimedes, certa vez, disse:

-“Dê-me um ponto de apoio e eu erguerei o mundo!”

Num visível surto de entusiasmo atribuído à sua mais recente descoberta, uma tal de alavanca, que ele queria enfiar em tudo quanto era fresta, na época.

-“Dê-me uma mesa, e eu porei o pau nela!”

Diz o Sandro, hoje, após ter descoberto os prazeres benéficos e sociologicamente lascivos da exposição peniana sobre o local onde são feitas as refeições. É viciante! ‘Cê devia experimentar, também...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cotidiânus



-“Sandrão, veja bem...”

Disse o Diego à minha pessoa.

-“Imagine que você tenha duas situações na sua fita e precisa escolher uma...”

Glossário do Diego

Situação – Mulher, moça, rapariga, indivíduo portador de xoxota em geral. Termo especialmente cunhado para designar as mulheres alheias, providas de peguete, ficante, namorado, noivo, marido ou instituição financeira similar (daí a necessidade de ocultar seus nomes sob tal alcunha).

-“Uma - digamos, a Juliana Paes -, é um espetáculo na cama! Trepa que é uma maravilha! Serviço completo! E, ainda por cima, faz o trabalho todo! Você só tem que ficar lá, deitado de pau pra cima, esperando ela te dar aquela surra de boceta.”

-“Entendo, entendo...”

-“É, mas só que ela não canta bem no microfone...”

Glossário do Diego [2]

Cantar no microfone – Atividade sexual com utilização específica da cavidade bucal. Felação. Boquete. Bola Gato (do Inglês “Ball Cat”).

-“Hum. Prossiga.”

-“Bom, e tem a outra, que é tipo assim a Márcia Imperator, do Teste de Fidelidade. Só que ela...”

-“Pega a Márcia!”

-“Mas eu nem falei do impasse...”

-“Não precisa. Meu voto é da Márcia.”

-“Não, calma... O caso dela é o seguinte...”

-“Chupa bem e mete mal.”

Disse o sempre analítico Ângelo, contribuindo pra o enriquecimento da conversa.

-“Exatamente! Tipo, ela é meio devagar na cama, você precisa fazer quase tudo sozinho, e tal... Mas ela paga um boquete... Caralho!”

-“E você quer que a gente opine sobre qual delas é mais negócio ‘cê continuar pegando, né?”

-“Iiisso...”

-“Pega a que fode melhor.”

-“É?”

-“É.”

O Ângelo é um homem direto, de poucas palavras. Já o Sandro...

-“Bom, eu acho o seguinte:

1 – Eu pegava a Márcia, mesmo que ela nem tivesse boceta. Valeria a pena.

2 – ‘Cê pretende ficar serinho com alguma das duas?”

-“Não, não. É só pra trepadas ocasionais mesmo.”

-“Sei qual é. Então, a longo prazo, a trepadeira é mais jogo, porque nem só de boquete vive o homem. Agora se for pra comer só mais umas 2 ou 3 vezes, eu humildemente sugiro a da boca de veludo.”

-“É, a cantora é bem foda, também...”

-“Ah, cara, eu não sou uma boa referência pra esse tipo de pesquisa. Minha opinião é muito parcial e perniciosa: boquete é um negócio que me deixa doido.

-“Pode crer.”

-"Só tem que a que mete melhor costuma ser mais feia. Porque a bonita, só de ser bonita, já satisfaz. Só um boquete dela já é suficiente. A feia é que tem que dar os pulos dela, pra se destacar."

-"Então."

-“Mas eu acho que ‘cê devia inverter esse exemplo aí. A Márcia é que tem cara de que deve meter pacaraio.”

-“Por isso eu digo e repito: pega a Márcia.”

-“Acho que o canal é continuar comendo as duas, que se foda.”

-“Melhor mesmo.”

-“Então, faltam só umas 500 pastas pra gente produzir hoje.”

-“Demorô.”

-“Já é.”

E assim prosseguiu mais um dia normal de trabalho na cozinha do Sandro.

P.S.: produzimos 422 itens entre licores, pastas e molhos, aquela tarde. Nego sacana trampa melhor, é o que o Sandro sempre diz.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O Retorno do Sandro


Sabe quando, um dia, você acorda de manhã e descobre que a sua mãe ficou piroca da cabeça, arruinou o patrimônio da família, faliu seu negócio, sujou seu nome e levou embora tudo o que tinha na sua casa – incluindo seus pertences -, pra começar vida nova longe do encosto (você, no caso)? Não sabe? ‘Cê é uma pessoa de sorte.

O Sandro, nos últimos tempos, tem atravessado uma via crucis na hora do rush que tá foda. Aconteceu assim, ó:

Outubro de 2008
Mãe do Sandro acha que pílulas pra emagrecer a base de sibutramina são jujuba e manda descer. Perde mais de 20% do peso e do juízo.

Novembro de 2008
Decidida a mudar de vida, mãe do Sandro aluga uma nova casa em Itatiaia, monta um novo canil nos fundos da mesma (pra alegria do proprietário do imóvel) e instala uma nova fábrica nos arredores. Mas, ao menos, tem a decência de não abandonar o Sandro na antiga casa de Penedo: deixa 20 cães famintos pra fazer companhia a ele. E também uma respeitável infestação de ratos, que deviam ter até CPF, pra facilitar a identificação (eram muitos! O meu favorito era o Válter).

Dezembro de 2008
Percebendo que as prestações da TV de plasma de 43’’ e dos móveis novos, bem como as idas semanais ao cabeleireiro, estão apertando o orçamento, mãe do Sandro decide cortar gastos: além do salário do Sandro – inexistente desde Outubro –, os fornecedores de matéria-prima e embalçagens pra loja também deixam de ser pagos.

Janeiro de 2009
Válter Falece (o Sandro e o irmão dele desratizam a casa de Penedo).

Fevereiro de 2009
Mãe do Sandro dá a ele de presente de aniversário 6 pendências no SPC e no SERASA e um cheque devolvido a caminho do Banco Central, totalizando uns 8 mil barão em dívidas vinculadas à firma. Ele ganha uma medalha de Honra ao Mérito como “Devedor Honorário” das instituições de proteção ao crédito e passa a ser persona non grata nos bancos do país.

Março de 2009
Sandro descobre que tem mais uns R$ 3.000,00 de “dívidas herdadas” na praça: mercados, o antigo colégio da Ana Lua, transportadoras, ex-funcionários e até a pensão que vende marmitex para a loja, onde as pendências totalizam R$ 80,00 (o equivalente a 20 quentinhas, destinadas a alimentar os cachorros residentes de Itatiaia, numa espécie de Open House canino. Era uma ocasião festiva, não faz essa cara). Ah, sim: mãe do Sandro também muda a fechadura da porta da loja. Sandro, que já não tinha acesso às finanças da empresa – só às dívidas –, agora também não tem acesso físico ao estabelecimento pelo qual trabalhou por mais de 12 anos (agora é a hora que você enxuga o cantinho do olho).

Abril de 2009
Fodido e mal pago (ou melhor, NÃO pago), o Sandro aplica sua lei “Olho por Rabo, dente por Rabo” e resolve foder com tudo de uma vez, porque quiprocó pouco é bobagem. Recebe duas propostas de financiamento para abrir um negócio próprio, nos moldes do anterior, produzindo e vendendo licores, geléias, pastas e afins, em Penedo mesmo. Aceita uma delas e, em sociedade com a Ludy (lembra dela?), passa para o lado rival da Força e abre concorrência com mãe do Sandro. Bwa-há-há-há-há-há-há!!!

Maio de 2009
Mãe do Sandro descobre os planos de Sandro. Descobre também que ele cativou alguns revendedores e boa parte dos fornecedores dela. E fica sabendo ainda que seu American Express creditou uma humilde fatura de R$ 4 mil mangos de gastos do Sandro. Mãe do Sandro quer morrer. Sandro também quer que ela morra.

23/05/2009
O Sandro inaugura sua nova loja, contando com o auxílio da Ludy, do Ângelo e do Diego. E, pela primeira vez na vida, se sente livre.

Ta vendo só? E você achando que o Sandro nunca ia se rebelar, hein? Bom, eu não me iludo. Sei que isso é passageiro. Porque, quando minha mãe se tornar uma pessoa (mais) velha, (mais) maluca, (mais) doente e, sobretudo, (mais) sozinha, o abacaxi vai sobrar pra mim, não tenho a menor dúvida. Mas é bom respirar o ar do desimpedimento, da autonomia, por uns tempos. O mundo nunca pareceu tão grande, antes.

A vingança é um prato que se come frio. Não faz mal: adoro Sushi.

P.S.: desculpa o sumiço, moçada.
P.P.S.: visitem a loja do Sandro. Tragam dinheiro.

domingo, 12 de abril de 2009

Pai de Sandro




Não é de hoje que o Sandro diz que a maneira mais eficiente de perseverar, em tempos de crise, é justamente explorar a crise dos outros pra ganhar um qualquer. Esse texto aqui é a prova cabal.


Acontece que tem gente que faz disso um trabalho em tempo integral, e não apenas um mero quebra-galho nos tempos de “pão com taio”.


(pausa pra explicar o que é “pão com taio”)


Trata-se de uma iguaria da culinária nacional, cuja receita consiste em pegar um pão francês e, munido de uma faca serrilhada, fazer um “taio” nele (vulgo “talho”. Corte longitudinal que separa o alimento em duas metades distintas ou ligadas por uma estreita tira do mesmo). Feito isso, o prato está pronto para ser servido. O rendimento é de 7 porções, porque precisa durar a semana toda. Também conhecido em algumas regiões como “pão com opa!”, nomenclatura derivada da expressão que precede o consumo:


-“Opa! Cadê o recheio?”


O Sandro é a Ana Maria Braga da Blogsfera. Só que, onde ela tem um louro, eu tenho um pinto.


Mas eu estou fugindo do assunto. O fato é: tem uns sujeitos que vendem soluções para a pindaíba, naqueles jornaizinhos de R$ 0,50. É só procurar nos classificados – fica logo depois dos anúncios de travesti – que você vai ver. É um tal de “cigano fulano” pra cá, “mãe beltrana” pra lá, e daí pra baixo. Esse povo oferece todo tipo de simpatia pra sanar os males do mundo. De perfume pra arrumar marido até “trabaio” pra subir na vida, passando pela sempre procurada cura para a paumolescência. Um serviço fantástico, esse.


O que nos leva à questão: COMO É QUE EU NUNCA PENSEI NISSO, PORRA??? Gente disposta a pagar por soluções rápidas e cretinas pros próprios problemas é um troço que sempre vai existir. Então, dada essa enorme demanda de lesados em potencial, nada mais justo do que o Sandro – que é Boina Verde em ludibriar/manipular/enrolar os outros de forma simpática – ingressar nas fileiras de charlatães do país.

Portanto, privilegiado leitor do BMLT, eu orgulhosamente anuncio minha transformação no magnífico Pai Paulindo da Mata Ziriguidum, o homem que vai mudar sua vida (e tirar a minha do buraco). Segue abaixo o humilde anúncio que hei de publicar nos jornais locais, com o qual você pode tanto marcar uma consulta quanto aprender a arrancar uma grana dos desesperados, com a tradicional cartilha explicativa do Sandro:


PAI PAULINDO DA MATA ZIRIGUIDUM

Você me conhece? Já estava escrito.

Você não me conhece? Já estava escrito também, a caneta do destino é que falha, de vez em quando.

Só o Pai Paulindo é que não falha nunca! Pode perguntar pra minha mulher!

Com o Pai Paulindo é assim: eu cumpro o que prometo.


(a introdução tem que ser um mix de jargões datados com piadinhas infames. E é preciso que haja uma confusão referencial, na hora de falar de si mesmo. Ora tem que ser em terceira pessoa, hora em primeira. Do jeitinho que o Sandro sempre fez no BMLT. Viu? Eu nasci pra isso).


Promoção da semana:

Consulta + Trabalho + mão-de-obra + broche do Pai Paulindo = R$ 127,00

Sou uma pessoa de palavra, que não precisa publicar mentiras no jornal pra ganhar a vida, porque sempre garanto meus serviços, sou uma pessoa transparente, correta e ando dentro da lei – especialmente das viaturas da lei.


(discrimine os serviços e faça com que estes resultem num valor quebrado, pra dar a impressão que os preços são tabelados e que você é um sujeito sério. Além disso, dê alguma garantia inquestionável, para validar a integridade do negócio).


Você está sofrendo com seu filho porque pegou o menino comendo mariola com o sobrinho da vizinha atrás da bananeira? Seu marido não sente mais atração por você, depois de 29 anos de casamento e 12 filhos? Não desista!!! Pai Paulindo quero e vou te ajudar!!!


(vá direto ao ponto, oferecendo seus serviços pra sanar os problemas mais apresentados. E lembre-se de abusar das exclamações e atropelar o Português com uma carreta, sempre que possível).


Trabalhamos com todos os tipos de amarrações – bondage inclusive, depois das 22h –, barracões nacionais e internacionais e simpatias, além de garrafadas (tanto as bebidas quanto garrafadas na cabeça do cliente, pra tirar o encosto).


VOCÊ QUER SABER SOBRE SEU SIGNO, O SIGNIFICADO DOS SONHOS, NÚMERO DA LOTERIA, QUE PERFUME USAR, QUE ROUPA VESTIR? PAI PAULINDO IREI TE DIZER. SOMENTE ESTE SERVIÇO POR APENAS R$ 16,50.


Trago a pessoa amada de volta em 77 minutos, de qualquer parte do planeta!


(liste os serviços adicionais e mostre que seus produtos superam os da concorrência em eficácia. Ah, sim: mude de fonte o tempo todo, pra demonstrar que você é um jegue no que diz respeito à formatação textual)


Agradecimento:


Rosicleide Tupinanbá da Cunha, de São Joaquim do Mato Dentro, RJ, agradece à famosa casa do Pai Paulindo, porque pesava 250kg e, depois de uma semana usando o líquido pra emagrecer do Pai Paulindo, emagreci 200kg! Estou muito feliz, obrigada! Meu marido voltou a me dar bom dia, até! Estou muito feliz, contente e saltitante! Vou indicar muitas pessoas para o senhor!


(mostre depoimentos verídicos de clientes satisfeitos que, no meio do caminho, mudam de terceira para primeira pessoa, pra ficar bem claro que foi você mesmo quem escreveu. E, sempre que couber, repita seu nome. Pra fixar bem, e você mesmo conseguir se lembrar dele, quando for se apresentar).


1 MINUTO DE SABEDORIA DO PAI PAULINDO DA MATA ZIRIGUIDUM:

Toda subida, na volta, será uma descida.


(momento “frase do dia”)


Trabalhamos de Segunda a Domingo, das 09:00h às 22:00h (para consultas com entidades: Seu Tranca Rua do Centro – Quintas. Dona Severina dos Prazeres – Sextas, depois do almoço)

Não me confunda com outros! Meu trabalho é sério!


(conclua com seus dados gerais, como endereço, telefones – celulares, de preferência – e faça a importante ressalva de que você não é um desses aproveitadores que tapeiam os outros nos classificados de jornal barato).


E então? Vai um “trabaio” aí?


sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Servidor Caiu


O Blog Mais Legal de Todos comunica que o considerável atraso na atualização do mesmo deve-se a problemas com o servidor, dado o grande número de visitas regulares ultimamente registrado.

Providências para sanar esse inconveniente já estão sendo tomadas.

Atenciosamente

Sandro Figueiredo

(mentira, o único problema do servidor é o usuário. Eu é que sempre quis escrever esse tipo de coisa pra justificar meu descaso mesmo)

Sandrocídio


A grana anda mais curta que o normal.

Em parte, sei que isso se deve às medidas emergenciais recentemente tomadas pelos governantes da nação. Afinal, o sempre competente governo achou uma solução infalível para a “marolinha” da crise econômica mundial que atingiu o país: evitar que as pessoas tenham dinheiro. Assim, a população não se endivida e a crise cessa. Genial. Parece até uma conhecida da minha sogra, que, temendo morrer envenenada, achou prudente parar de comer. Logo, não há risco de morte. Às vezes o mais certo a se fazer é tão óbvio...

Somado a esse cenário, minha mãe tem andado muito ocupada chapando com seus remédios pra emagrecer (a sibutramina é o ecstasy dela. Só que a larica chama “dieta”). De modo que a coroa ainda não percebeu que acolher e alimentar todos os cães de rua da região sul fluminense pode ser um plano ligeiramente ambicioso demais, e permanece firme com sua empreitada “Sociedade Protetora dos Animais de uma mulher só”. Até porque, agora ela descobriu que pode cortar custos desnecessários – parando de pagar as contas de telefone, de luz, de cartão de crédito, os fornecedores de matéria prima pra fábrica, o salário do Sandro, etc –, e acaba sobrando mais dinheiro pra comprar ração.

E o resultado dessa assombrosa conta de adição em que o resultado sempre dá negativo é: o Sandro está desamparado, sem condições de suprir suas necessidades mais básicas. Tais como fazer recargas de celular, adquirir fones de ouvido decentes e comprar uma bota nova de 150 pila que eu paquero tem um mês, já. É desumano viver assim.

Aí eu pensei:

-“Já sei! Vou me matar!”

Afinal de contas, o que é uma dupla penetração pra quem já está tomando no cu, não é verdade? Só faltava escolher a forma mais adequada de subir a “Stairway to Heaven” e executa-la (ou melhor, executar o Sandro). Moleza, né? Mais ou menos médio.

Primeiro, me veio à cabeça dar um tiro na mesma. Mas havia um probleminha: eu não tenho arma. E ia gastar uns 900 barão pra arrumar uma pistola no mercado negro. Sim, porque morrer com uma porra dum 38 cano curto de R$ 200 é o cúmulo da mesquinharia. Acontece que isso nos leva a uma incoerência conceitual, porque, se eu tivesse os 900 dinheiros na mão, não ia precisar me matar (ou viveria mais um mês, enfim). A opção, então, seria prestar favores de ordem sexual a algum armeiro/traficante/policial corrupto em troca da arma, dada minha escassez monetária. Mas não valeria à pena, porque, tendo perdido meu selinho de pureza da ABIC, eu não morreria em paz, definitivamente. E mesmo que eu chegasse ao cúmulo de entrar numa com o vendedor da arma, pra que ele ficasse puto e resolvesse me dar um tiro, ainda não satisfaria meus anseios auto-destrutivos. Afinal, dar cabo da própria vida é o tipo de coisa que não se terceiriza.

Pular na frente de um ônibus também não proporcionaria os resultados desejados. Porque os motoristas da viação que serve Penedo me conhecem, e certamente parariam o veículo antes que eu pudesse mergulhar no pára-choque, perguntando se eu havia me esquecido de que a entrada é pela porta de trás. Eles são realmente muito simpáticos. Quanto a tentar ser atropelado pelos circulares de Resende, no way. Aquelas carroças nunca passam no horário. Eu morreria de tédio antes, esperando no ponto de ônibus (aí não teria a menor graça).

Tentar me atirar de um prédio? Os da região são baixos. Eu quebraria a perna, no máximo. E ainda faria papel de idiota, estendido no chão, com cara de bunda e o joelho dobrando pro outro lado.

Hara Kiri? Não vai dar. Minha mãe levou embora meu jogo de facas de cozinha grandes quando se mudou. Não tem como arejar as tripas usando um canivete.

Enforcamento? Se eu pendurar uma samambaia numa das paredes que sustentam a casa onde estou atualmente morando, a laje racha no meio (vovô que fez). Imagine tentar içar um galalau de 1,88m e 85kg! A casa vem abaixo na hora! Isso seria uma economia no enterro, é verdade, mas comprometeria todo o aspecto dramático que só um defunto pendurado que nem uma peça de costela bovina num frigorífico tem (imagem é tudo).

Cortar os pulsos dentro de uma banheira cheia? Jamais. Por dois motivos:

1 – Eu disse que não faria isso nem fodendo (ta lembrado?). É muito cafona.
2 – Se eu tivesse uma banheira, certamente teria coisa BEM mais legal pra fazer dentro dela do que me esvair em sangue aguado.

Overdose de remédios? 'Cê tá maluco? Eu morreria do coração na fila do caixa, quando descobrisse o preço de um tarja preta (súbito demais).

Segurar uma banana de dinamite acesa só pra ver o que acontece? Nem. Eu tenho integridade. Gostaria de tentar manter isso quando fosse pra baixo da terra. Fora que eu quero ocupar um caixão, não uma caixa de sapatos.

Raticida proibido e ilegal, vulgo “chumbinho”? Isso não mata nem rato, hoje em dia. Maldita falsificação...

É. Ta foda.

Dizem que, pra abrir uma pequena empresa no Brasil, basta abrir uma grande e esperar uns meses. Talvez o mesmo se aplique ao suicídio: pra que me matar se eu posso esperar um pouquinho e deixar o governo fazer isso por mim, via inanição?